Jefferson se despede da torcida do Nova Iguaçu em entrevista emocionante.


Jefferson José Moreira não é mais jogador do Nova Iguaçu. Aos 32 anos de idade e oito de serviço junto ao Orgulho da Baixada, o experiente goleiro anunciou sua saída do clube após o fim da participação do clube no Campeonato Carioca. Jefferson, que é o recordista de partidas pelo Nova, com 195 jogos, ainda não tem rumo certo, mas já se sabe que não renovará seu contrato, que expira em 30 de abril.


Embora ainda não tenha revelado aonde jogará na sequência de 2019, Jefferson já observa o futuro fora de campo. Ele acaba de concluir um curso de gestão esportiva no Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (SAFERJ) e mantém um projeto voltado para crianças no futebol em Maria da Fé (MG), cidade em que nasceu. Numa entrevista  emocionante no Programa Agito Esportivo da  Rádio Opção, na noite dessa quarta-feira (07), o goleiro afirmou que chegou o momento de deixar o clube numa altura em que o Nova Iguaçu ficará parado, por boa parte do ano:


– A gente sempre busca novos desafios ao longo da nossa carreira, conversa muito em casa sobre qual é o próximo passo a seguir. E a gente não tinha um calendário completo, isso ajudou muito. Se o Jânio (Moraes, presidente) tivesse um calendário, o coração com certeza ia falar mais alto. Mas sabíamos que o problema existiria, não foi fácil. Me emocionei muito na última conversa que tivemos juntos. Isso mostra o carinho que eu tenho pelo clube, que é recíproco. Tenho uma gratidão enorme por todos, torcedores, dirigentes, funcionários. Mas, como eu disse a ele, não é um adeus, é um até breve. Quem sabe esses cinco jogos que faltam para os 200 não aconteçam?


No Nova Iguaçu, Jefferson chegou em 2011, contratado junto ao Madureira. No clube, ganhou praticamente todos os títulos importantes do Orgulho da Baixada nas últimas temporadas: a Copa Rio (2012), a segunda divisão do Carioca (2016), o Troféu Edílson Silva (2012) e os Quadrangulares Extras do Estadual (2017). Considerado um dos grandes ídolos da história iguaçuana, ele fecha uma página importante nesta trajetória, mas talvez não de forma definitiva.


Confira abaixo outros momentos da entrevista de Jefferson no Programa Agito Esportivo da Rádio Opção:


Despedida

– Eu não queria falar, mas um dos motivos que levou à minha saída é a questão emocional, que é muito grande mesmo. Em algumas partidas, alguns funcionários vinham me abraçar e pedir ajuda, para que o clube não voltasse à segunda divisão. Isso mexia muito comigo. Às vezes, atrapalhava ou me dava força redobrada. É difícil. Preciso adquirir novas experiências e deixar essa emoção um pouco de lado para ver minhas atuações, como vão acontecer. Entrei com a responsabilidade de fazer o trabalho mas também com a emoção. Como a gente se envolve nesses nove anos, achei que era hora de respirar porque, se não, o coração ia me faltar.


Saída

– A gente atingiu um grau de maturidade grande, a ponto de poder falar sobre isso. O que mais pesou para a minha rescisão foi o calendário e a necessidade de ter novas experiências. Até para trazer algo melhor no caso de voltar, ajudar nesse projeto que é fantástico, de formação de atletas, para que a gente possa crescer. Acho que todo o elenco profissional está sendo desmontado dentro desse processo, até porque o clube está se planejando melhor financeiramente. Uns 90% estão passando pelo mesmo processo.


Falta de calendário

– Isso não é particularidade do futebol carioca, é do futebol brasileiro. Outras equipes de menor investimento, em outros estados, também passam por isso. Realmente, isso deveria ser revisto porque muitos jogadores ficam desempregados para a segunda metade do ano. Ou então se sujeitam a situações ruins para eles e suas famílias. Tem muito jogador bom espalhado pelo país e muito clube que quer dar continuidade aao trabalho num ano.


Sucessor

– Ainda é cedo para falar porque o clube vai entrar em recesso. Mas esse sucessor seria o Bruno, que foi o terceiro goleiro no Carioca. Mas terceiro lugar é jeito de falar porque ele tem tudo para ser o camisa 1 do Nova Iguaçu. É jovem, reúne todas as valências necessárias para um grande goleiro. Se ele for a opção da próxima comissão técnica, fará um grande campeonato e seguirá bem à frente do gol.


Momentos

– O mais difícil deles foi nosso descenso, em 2015. Eu não tinha passado por isso na minha carreira, ainda. Quando aconteceu, o clube vinha na primeira divisão há quatro anos, grandes coisas estavam acontecendo, a reforma do CT estava em curso. Sabíamos que ia pesar muito nas contas e foi uma grande decepção. Mas o melhor momento foi o nosso acesso logo no ano seguinte, onde fui melhor o goleiro do campeonato. Ainda pude subir junto com o Paulo Henrique, que foi meu companheiro por tantos anos dentro do Nova Iguaçu. Ficou marcado um abraço que dei nele após o jogo do Boavista, quando caímos, e nós prometemos ali que daríamos o mesmo abraço no ano seguinte, mas de alegria, pela subida. E foi assim que aconteceu.


Melhor técnico

– É até difícil falar porque todos aqueles com quem trabalhei são meus amigos, pessoas de bater papo pelo telefone, até de se encontrar. Mas acho que o Edson Souza foi quem me marcou mais. Foram duas passagens pelo clube e ele esteve nas duas, nos levou à nossa melhor campanha de todos os Estaduais, nos levou a subir. A história dele se baseia também na minha história de conquistas dentro do Nova Iguaçu.


Titularidade por oito anos

– É difícil ficar tantos anos como titular, mas isso é graças ao trabalho e aos goleiros que passaram pelo clube. O Rommel Araujo e o William Bacana marcaram muito e representam todos os que fizeram parte dessa trajetória. Sem eles, não existiria o Jefferson e as coisas não aconteceriam como a gente planejava.


Base

– Para mim, é uma honra falar sobre isso. Acho que tenho um dom para falar com as crianças. É um jeito de se sentir um pouco mais jovem. Principalmente quando os treinos eram à tarde, perto dos meninos de 12, 13 anos, eles me viam entrar em campo e era essa a hora em que a gente se sentia importante de verdade, que era a referência deles. Em algumas oportunidades, pude dirigir a palavra a alguns goleiros da base e era impressionante o jeito como me olhavam. Hoje, o projeto do William, o Paredões da Baixada, dá oportunidade a muitos goleiros jovens daqui, que antes mão tinham essa possibilidade. O clube entendeu o projeto e hoje ele é um sucesso.


Torcida do Nova Iguaçu

– É quase uma família para mim. Principalmente em casa, quando eles são mais presentes, é maravihoso ouvir seu nome gritado no estádio. Tivemos jogos muito difíceis em 2018, estávamos definindo se íamos para a Seletiva ou não. Tivemos atuações pontuais em momentos dificis. teve torcedor que levou meu uniforme e me deixou até de sunga. um carinho que tiveram por mim e seique vai ter onde eu for. Até porque pode ser que, um dia, eu volte.

Créditos Texto Gabriel Andrezzo Rádio Super Torcida.

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